Chuang-Tzu e Hui-Tzu atravessavam o rio Hao pelo açude. Disse Chuang:
- Veja como os peixes pulam e correm tão livremente! Isto é a sua felicidade!”
Responde Hui:
- Desde que você não é um peixe, como sabe o que torna os peixes felizes?
Chuang responde:
- Desde que você não é eu, como é possível que saiba que eu não sei o que torna os peixes felizes?
E Hui argumentou:
- Se eu, não sendo você, não posso saber o que você sabe, daí se conclui, que você não sendo peixe, não pode saber o que eles sabem.
Disse Chuang:
- Um momento! Vamos retornar a pergunta primitiva. O que você me perguntou foi:
- Como você sabe o que torna os peixes felizes?
E, dos termos da pergunta, você sabe
evidentemente que eu sei o que torna os peixes felizes: conheço a alegria dos peixes no rio, através da minha própria alegria à medida que vou caminhando a beira do mesmo rio.
(A via de Chuang-Tsé – em “Introdução ao pensar – o ser/ o conhecer/ a linguagem”, pág. 18 e 19, Editora Vozes, 1975 – Petropólis – texto enviado pela leitora Cristiane Gonçalves).